de repente

remexe os meus ouvidos

um sonoro voejo plástico

deve ser um rabo de pipa


Olá você que acompanha este blog, decidi de compartilhar um pouco mais o meu processo de escrita, pensando também na construção de um próximo livro, ao criar uma newsletter.

Enviarei quinzenalmente 2 poemas e algumas ideias para a composição de ambos, com talvez algumas curiosidades e notas de leituras.

É um exercício de escrita e de diálogo.

Se você tem interesse, basta inserir o seu e-mail:

No mais, ainda postarei por aqui, da mesma forma: bem despretensiosamente.

Até mais,

Maitê


coloque os dedos sobre os
olhos
uma pequena cortina de semicírculos
bailarina
a escuridão


a luz laranja do apartamento

divisava seu rosto

em duas faces

tal o retrato de Madame

Matisse

a cada novo ângulo

tentando capturar

mais um frame,

mais um ponto de luz

eu me perguntava se seria possível

edificar uma claraboia

dentro do seu olhar


Não acomodo junto ao coração

o desajuste

desta letargia

desta quase vida quase morte

Não acomodo junto ao coração

il movimento veloce

per niente delicato

desta pouca luz

desta paralisia

Mas cabe ao músculo che si trova tra i due pulmoni

la vigilanza del suo proprio

pompare


I kiss you like

someone who learns

to walk:

little by little

circuiting the

perimeter of your

tongue

without

necessarily

knowing where I

want to reach

tradução de um poema do Titubeio — é um poema sem título da parte “maré baixa” — feita pela tradutora Shelly Bhoil


o balanço das árvores

por detrás da janela

movimento maestoso

prenúncio

de um dia ainda

inaudito


Coloco os dedos em frente à
luminária, as extremidades avermelhadas recebem o calor
abafando a luz
ao esconder parte do seu
brilho

as paredes verdes do quarto
ganham um arco desenhado sombra
no ponto mais alto
do cômodo

tento pensar que se ao aproximar-me
a minha frequência poderia
incorporar-se
à cor branca
da fonte,

ou separar-se de todas as suas

cores.


o porteiro dá voltas nas ruas

luminosas do condomínio,

as janelas semicerradas

já não revelam quase nada,

uma mulher estende as roupas

no varal,

a luz do poste da frente

deve queimar

nos próximos dias,

os vizinhos do lado

falam com suas visitas

todos ao mesmo tempo,

se os quisesse espionar

não conseguiria,

um carro freou

do outro lado da rua,

som de barulho

metálico e irregular,

E neste momento

este é todo o meu

mundo


articulados em uma trajetória
conhecida
os minutos pendem para o mesmo
destino
17 horas
de um sábado qualquer, de uma semana qualquer,
de um ano, que por acaso, ainda não terminou,
oscilação de um período sempre
idêntico
17 horas de vinte de março
17 horas de vinte de abril
17 horas de vinte de setembro
17 horas de vinte de dezembro
17 horas de vinte janeiro
17 horas de vinte fevereiro
a frequência é fendida
à própria massa puntiforme.

Maitê Rosa Alegretti

Beletrista, italianista e professora.

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